quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desabafo de um Pastor Evangélico: "Estou Cansado!"



Desabafo de um Pastor Evangélico:
"Estou Cansado!"


Ricardo Gondim


Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

Soli Deo Gloria.

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=870

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Niestzche, o Espelho e a Lei de Deus

Niestzche, o Espelho e a Lei de Deus

Certa fez, o famoso filósofo alemão Niestzche escreveu essa poesia abaixo:

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: 'Ao Deus Desconhecido'.

Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, não obstante aos laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a serví-Lo.

Eu quero Te conhecer, Desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.


Salmos 143:1-2 Atende, SENHOR, a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas. Responde-me, segundo a tua fidelidade, segundo a tua justiça. 2 Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente.

É surpreendente quando uma alma descobre que Deus concedeu uma Lei que deve ser guardada e, no entanto, a obediência a ela não é levada em conta nem como instrumento para alcançar a salvação. Então, qual a razão de conceder a Lei? O que existe de bom nos princípios morais? Eles não foram concedidos porque Deus tinha a ilusão de que nós pudéssemos submeter nossa vida a esse conjunto de preceitos. Deus sabe que todos nós somos seres decadentes e que nada existe de bom em nossa natureza carnal.

"A Lei serve para outro propósito: ela nos mostra nosso pecado. O coração dos homens é confrontado com a Lei moral, que é justa e boa, A mente humana, ao mesmo tempo, sabe que a verdade está na Lei e confessa que o homem não vive de acordo com ela. E não adianta todo seu esforço, ele percebe que não alcança a perfeição. Desse modo, torna-se claro em seu coração quem ele é: um pecador perdido.

"Esta é a finalidade maior da Lei: ensinar- nos o que é o pecado e revelar que estamos errados, da mesma maneira que um espelho nos mostra quão impuros somos quando estamos sujos. Contudo, a exemplo do próprio espelho, inca paz de purificar as pessoas, mas pronto a refletir nossa condição, também a Lei não é capaz ela própria de regenerar e remediar nossa alma. Ela pode apenas apontar o que somos: pecadores.

"A finalidade da Lei é fazer com que você conheça seu pecado, a fim de que um dia possa orar como o salmista: '... não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém e justo diante de ti'" (v. 2).

Link: http://plugadoscomdeus.blogspot.com/2009/10/niestzche-o-espelho-e-lei-de-deus.html
Fonte: Richard Wurmbrand (adaptado)

José: Quando o Sofrer Faz Bem a Alma e ao Coração



José: Quando o Sofrer Faz Bem a Alma e ao Coração


José era o filho amado/favorito de Jacó (Israel) “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice;” (Gênesis 37.3a), por isso era odiado “Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.” (Gênesis 37.4) pelos seus irmãos (atormentados no âmago do ser, revestidos de um terrível sentimento de inveja e ciúmes) que desejavam matá-lo “De longe o viram e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar.” (Gênesis 37.18), mas que por um momento de “lucidez” ou de astúcia sofisticada (uma vez que ele consentiu com o abandono e desprezo para com José) do seu irmão mais velho Rúben, ou melhor, por providência e propósito de Deus foi poupado “Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida.” (Gênesis 37.21). José foi vendido como escravo e levado para o Egito “E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito” (Gênesis 37.28).

José fora traído, maltratado e humilhado por seus entes mais queridos, ou seja, pelos próprios irmãos. Foi comprado por um povo inimigo e levado para uma terra de língua/idioma, cultura e costumes diferentes/estranhos aos seus. No Egito “1José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. 2b O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero;” (Gênesis 39.1-2b). Após isto José foi preso injustamente sendo alvo de acusações caluniosas/mentirosas e quando as circunstâncias pareciam apontar para uma direção que não haveria mais a possibilidade do livramento, ao passo que a situação dava mostras claras de que José sofreria ainda algo pior então “O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro;” (Gênesis 39.21).

É (foi) no Egito para além dos horizontes do seu lar, distante dos braços e do cuidado amoroso do pai (Jacó/Israel), no meio de um povo e de uma cultura diferente, politeísta e escravagista que Deus fortaleceu a vida de José, fazendo dele instrumento de salvação do seu povo da morte pela fome, inclusive dos seus irmãos que o perseguiram. José se tornaria governador do Egito (Gênesis 41.37-57), estando abaixo unicamente do Faraó. Todavia o que nos chama a atenção em José não era sua posição profissional, o cargo que ocupava, e todas as nuances elitistas de uma vida governamental. Mas o seu estilo de vida, o seu caráter ímpar, o modo pelo qual em meio às adversidades ele chamou a sua vida a existência, de como conseguiu caminhar bem em uma estrada que lhe apareceu perversa.


Assim, ao contrário do que se poderia esperar, diante de um momento oportuno para se vingar, “retribuir” com medida abruptamente esmagadora aqueles (seus irmãos) que o “mutilaram” de ser e de alma, este homem irrepreensível perdoou seus expropriadores e os acolheu com bondade e favor. Salvando-os da fome que assolava todos os povos da época (Gênesis 41), deixando-nos um legado de misericórdia, compaixão e graça que se dá não em compêndios teológicos, mas que se internaliza nas camadas mais profundas do ser e se evidência na vida, exalando o bom perfume da graça de Cristo. Com a vida de José aprendemos quando o sofrer faz bem a alma e ao coração. José dá um re-significado de como viver sofrendo injustiças das mais diversas fontes e das mais derivadas camadas, quer sejam traições, tramas, calúnias, difamações, cobiças, invejas, ciúmes, porfias, aprisionamento, maltrato, expropriação, etc. E ainda assim, agradar a Deus. José na verdade é um retrato minúsculo do nosso Senhor Jesus Cristo no livro do Gênesis. Pois Cristo passou por situação muito pior e perdoou a todos aqueles que o maltrataram e ainda se entregou como sacrifício único para a salvação da alma e do ser de cada um deles para libertá-los das amarras do pecado, e livrá-los da punição dos mesmos.

Através do Deus que Se revela como LHE apraz aprendemos por meio do seu filho (José/Jesus Cristo), que em meio às dificuldades que nos afligem; das injustiças que nos assolam; dos temores que nos apavoram; das desilusões da vida; dos traumas que nos tiram o sono e paz; das falsas acusações que nos rodeiam; daqueles que nos perseguem e nos atormentam há esperança. Podemos olhar para José e lembrar-nos que ele é uma tipificação de Cristo. Um bálsamo da compaixão divina derramado graciosamente sobre a pele e que vai se espalhando e infiltrando no ser atingindo a consciência e ao coração. Com José a lição retida é quando o sofrer faz bem a alma e ao coração.

Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gênesis 45.8).

Deus usa pessoas e circunstâncias para nos deixar mais parecidos com Jesus Cristo!

O Enigma da Graça



O Enigma da Graça
APRESENTAÇÃO

Enquanto meus olhos percorriam as linhas deste texto minha mente se ocupava mais das entrelinhas. Várias vezes me percebi reagindo com pensamentos do tipo: “ele está dizendo isso só por causa do que aconteceu com ele”; “ele está mandando recados para os caras que ferraram com ele”; ele está justificando o pecado dele”; “ele está se escondendo atrás de Jó, mas um não tem nada a ver com o outro”; “ele está sendo injusto com muitos amigos que nada tem a ver com estes amigos de Jó”; “ele está fazendo uma mea-culpa, mas em nenhum momento admite seu pecado ou pede perdão”; “esse cara não está arrependido coisa nenhuma”; “ele quer seguir em frente como se nada tivesse acontecido”; “até parece que os grandes vilões da história dele são os pseudoamigos”.

E, pior do que isso, em várias ocasiões, me perguntei: “será que isso é um recado para mim?”

Demorou para que eu conseguisse entender que este não é um texto a respeito de Caio Fábio, mas sim a respeito da Teologia Moral de Causa e Efeito e suas implicações para todos aqueles que foram chamados a viver celebrando a Graça de Deus revelada na Cruz de Cristo.
Quando entendi, comecei a ler o texto tentando dissociá-lo da experiência do Caio Fábio. Mas logo percebí que esta era outra tolice. Impossível dissociar a fala de um homem de sua história
de vida. Não apenas imposível, como também, indesejável.

Um texto tem que ter carne e sangue, senão, é puro diletantismo e não vale a pena ler!

O que tenho nas mãos e me alegro em recomendar para você, é um texto a respeito da angústia de quem deseja viver sob a Graça, mas está sempre sendo julgado - seja pelos homens, pelo diabo ou pela própria consciência - pela Teologia Moral de Causa e Efeito. Mas também, um texto escrito por um homem em seu caminho com Deus. Um texto escrito por alguém, cujos pés estão sujos da poeira da peregrinação espiritual honesta e intensa. Um texto com perguntas e respostas, inquietações e apaziguamentos, não poucas vezes sombrio, mas também claro e lúcido.

Um texto que revela corações: de Jó, do Caio, e de tantos quantos se atreverem a ler.

Recomendo não o Rev. Caio Fábio, pois este prescinde de qualquer recomendação, recomendo sim, o homem Caio, um irmão, um amigo; alguém em cuja história compreendo um pouco mais do caminho de um homem com Deus, e em cuja amizade colho frutos explicados somente pela Graça.

Ed Rene Kivitz
Junho de 2002

COMO EU TE AMO

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COMO EU TE AMO

"Vou contar as formas:
Eu te amo,
Até a profundidade, largura e altura que minha alma pode alcançar
Quando sentindo longe dos olhos pelo objetivo de existir e de graça divina,
Eu te amo,
Ao nível da necessidade mais silenciosa de cada dia
Ao sol e a luz da vela
Eu te amo
Livremente como os homens lutam pelo direito
Eu te amo,
Puramente como eles se afastam do elogio
Eu te amo,
Como a paixão existente em minhas velhas mágoas
E com a fé da minha infância
Eu te amo,
Com o amor que parecia ter perdido com os meus entes perdidos
Eu te amo,
Com a respiração, sorrisos, lágrimas de toda a minha vida
Eu te amarei melhor até após a minha morte".

Sally Brown

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como Compreender as Pessoas – Criaturas Dependentes: Somos Seres Pessoais



“Conhece-te a ti mesmo” com esta célebre frase o filósofo grego Sócrates trouxe ao mundo do conhecimento não apenas uma simples contribuição, mas, sobretudo uma profunda reflexão concernente a vida humana. A sentença socrática é um convite a tornar-se consciente da própria ignorância, como sendo o ápice da sabedoria, que é o desejo da ciência mediante a virtude. Alguns séculos depois somos convidados pelo Senhor Jesus Cristo a fazermos tal reflexão, todavia com um cunho bem mais emblemático e intrínseco ao ser e a alma humana. Enquanto o ensino de Sócrates se dá (restringi-se) no campo da “gnose”, ou seja, na busca pelo conhecimento que traz deveras construções a existência e a realidade do ser humano, por outro lado temos um convite feito por Jesus para a auto-reflexão, a auto-análise, um encontro e confronto consigo mesmo, ou seja, que esta para além do simples conhecimento adquirido por leituras e práticas. É uma investigação acurada do ser e da alma.

Jesus nos ensina por seu próprio modo de caminhar, e nos convida a isso. Por meio da regra de ouro dos evangelhos: “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6.31)1, ou seja, esta é uma extensão mais aguda da proposta estabelecida por Sócrates, pois Jesus nos convida a uma confrontação com tudo aquilo que se encontra no porão do nosso ser e da nossa alma, não se limitando aos ensinamentos filosóficos e religiosos ensinados até então e que estavam surgindo na sua época. É literalmente ir além do que se está posto. Não contentar-se com o berço esplêndido da mediocridade. É ver além do óbvio.

A leitura proposta como recurso didático, parte da complementação e/ou grade curricular e elemento integrante da disciplina é de suma importância pelo fato de nos colocar diante de uma problemática tão antiga como atual citado por diversas vezes no texto pelo autor como “âmago oco”, ou seja, a alma humana profundamente angustiada, abatida e solitária, é literalmente o vazio do ser e da alma. A partir dessa pequeníssima expressão o Dr. Larry Crabb apresenta o ponto de tensão do capítulo e do livro (a falta de dependência de Deus) e nos convida ao encontro da dura realidade de confrontar a si mesmo. A obra como um todo é um tanto quanto diferente de outras obras já publicadas quanto ao assunto. Sem desviar-se dos princípios bíblicos, o autor nos apresenta um trabalho sério e inovador sobre o aconselhamento. Neste capítulo precisamente somos levados a compreender que Deus como nosso Criador e Senhor espera muito mais fracassos de nós, do que nós mesmos possamos conjecturar ao nosso respeito, não afirmo isso para propagar ou salientar qualquer tipo de idéia perniciosa que nos leve a prática do pecado, mas por tentar exercitar a consciência que ainda corrompida por causa do pecado, reconhece pela graça libertadora de Deus evidenciada em Cristo e operada no coração pelo Espírito Santo. Pois somos de fato seres miseráveis, continuamente inclinados para o mal, mas que Deus assim como nos tirou do lamaçal do pecado (“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”)2, agora atua retirando de dentro de nós a lama que tanto nos corrompe (“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”; “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”)3. Nessa viagem de auto-exploração ou descoberta de nosso âmago perpassarão dúvidas, angústias, medos e vários embates se darão dentro de nós. Sentiremos tanto resistência quanto confusão, pois encontraremos coisas que são difíceis de enfrentar, que machucam e condenam4.

Como citamos o ponto de tensão se dá no campo da dependência ou não que o ser humano tem de Deus, e a extensão ou entendimento dessa dependência se dá através dos relacionamentos humanos. Para não ficarmos no campo da abstração voltemo-nos para a realidade perceptível e reflexiva das coisas e da vida no seu dia-a-dia. Tomemos como exemplo a Trindade, partindo da idéia de uma comunidade de Deus. “Por Deus ser, por sua natureza, um ser afetivo (há três pessoas na Trindade capazes de inter-relacionar-se), o homem, criado para ser semelhante a Deus, é também um ser que se inter-relaciona. Fomos feitos para o relacionamento com Deus e com as outras pessoas. Segue-se que, nas partes mais centrais do nosso ser, ansiamos por desfrutar aquilo para que fomos projetados a vivenciar. Ansiamos por relacionamento5.

Somos convidados a reconhecer e admitir humilhados e humildemente a nossa inteira e total dependência de Deus. Que Ele de fato é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade (Filipenses 2.13). Que não podemos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos, mas que a nossa capacidade e suficiência vêm do Senhor (II Coríntios 3.5). Somos levados as cavernas desérticas para que Deus possa desconstruir todas as certezas alojadas no porão do nosso ser e no âmago de nossa alma, afim de que Ele mesmo possa construir a única certeza que teremos para todo o sempre, de que Ele estará conosco: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém6. Necessitamos de um abandono de si mesmo nos braços do Pai de eterno amor para que Ele cuide de cada ranhura e ferimento. Que Ele no trate conforme Lhe apraz, e que nossa vida seja um pouso e esteja repousada aos cuidados dEle para ser curada, restaurada e edificada. Que sejamos de ser e de alma consolados pela palavra que diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito7. Que o derramar de nossas vidas esteja nELe, pois: “Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja a esperança é o SENHOR8. Que a nossa oração seja como a do profeta Jeremias: “Cura-me, SENHOR, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor9. E só assim o nosso ser será pacificado e nossa alma será liberta das amarras da dor e do sofrimento pela esperança que é o Senhor.




Bibliografia:

1 – HTTP://www.bibliaonline.com.br/ra/lc/6

2 – http://www.bibliaonline.com.br/ra/ef/2

3 - http://www.bibliaonline.com.br/ra/fp/3

4 - CRABB, Larry. Como Compreender as Pessoas – Fundamentos Bíblicos e Psicológicos Para Desenvolver Relacionamentos Saudáveis, Capítulo 7, p. 117-118, Editora: Vida, 4º Impressão – 2001, São Paulo/SP

5 - CRABB, Larry. Como Compreender as Pessoas – Fundamentos Bíblicos e Psicológicos Para Desenvolver Relacionamentos Saudáveis, Capítulo 7, p. 117-118, Editora: Vida, 4º Impressão – 2001, São Paulo/SP

6 – http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/28

7 - HTTP://www.bibliaonline.com.br/ra/rm/8

8 - http://www.bibliaonline.com.br/acf/jr/17

9 - http://www.bibliaonline.com.br/ra/jr/17


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Mensagem Oculta de Atos

A Mensagem Oculta de Atos


Algumas pessoas costumam afirmar que se Atos 1.8 “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”, não se cumprir na vida de um cristão, certamente Atos 8.1 “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” vai se cumprir.

Dentro do livro dos Atos dos Apóstolos encontramos algumas porções das quais relatam a relutância por parte dos apóstolos em obedecer à parte final das instruções dada por Jesus Cristo sobre a grande comissão. Em Atos 5.28 diz: “dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem”, e Atos 6.7 diz: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé”.

Com “certa” facilidade os apóstolos atingiram o primeiro dos quatro limites mencionados por Jesus, eles evangelizaram Jerusalém sem grandes problemas. Embora eles tivessem “obedecido” a ordem para evangelizar, se detiveram apenas a Jerusalém. Quando fazemos uma leitura minuciosa e acurada dos primeiros sete capítulos do livro de Atos iremos identificar uma postura “covarde, egoísta, arrogante e centralizadora” por parte dos apóstolos. Pois até aqui, cerca de 25% dos escritos de Lucas já estavam encaminhados, a história já estava “registrada” não em papéis, mas em fatos. E até onde mostra o registro, os discípulos sequer estavam planejando em dar continuidade e obedecer ao restante da última ordem de Jesus. Temos um exemplo típico disso registrado em Atos 8.25 “Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”. O fator motivacional de Pedro e João não necessariamente estava na ordem de Jesus, mas dá-se na questão geográfica, pois os lugares aonde evangelizavam ficavam próximos a Jerusalém.

Outro ponto a ser considerado aqui é o tão famoso desencargo de consciência que todos os seres humanos, especialmente os do meio religioso sofrem, afinal o Senhor havia deixado uma ordem, e como eles não estavam cumprindo e por Jesus incidência (não acredito no acaso e em coincidências) grande perseguição lhes fora vinda resolveram barganhar com Deus a missão que lhe fora incumbida. Outro exemplo está em Atos 9.32 – 11.18 onde o apóstolo Pedro está seguindo outra vez nas pegadas de Filipe. Sem dúvida, a obra realizada por Pedro foi relevante, no entanto, ele só testemunhou a respeito de Jesus Cristo aonde Ele (Cristo) já fora ministrado (pregado/testemunhado) antes, com uma única exceção.



Em Atos 10.9-22 o apóstolo Pedro tem uma visão advinda de Deus para livrar Pedro de seus preconceitos anigentílicos, algo que já havia se dado três vezes neste mesmo contexto (Atos 10.16). Mas, a graça irresistível de Deus, o Seu amor quebrantador e libertador de cadeias, o qual nos faz diferentes para com as indiferenças levou Pedro finalmente a compreender, que tais atitudes relutantes não o levaria a lugar algum, senão ao distanciamento e desobediência a ordem de Cristo. Seu encontro subseqüente com Cornélio (Atos 10.1-8; 23-48) é um retrato do preconceito humano esvaindo-se gradualmente através do evangelho de Jesus Cristo.

Podemos identificar exclusivismo e favorecimento aos judeus (aos de Jerusalém) em Atos 11.22 “Então, os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus”.

Por fim percebe-se um ar de ironia ou uma nota leve de sarcasmo em Atos 11.22 “A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia”, pois a metáfora “aos ouvidos da igreja” poderia ter sido perfeitamente interpretada por “aos ouvidos dos apóstolos”, o que captamos aqui é que Lucas o “escritor” deste livro nos passa uma branda insinuação de sua impaciência (e do Espírito Santo) por causa da visão estreita da igreja de Jerusalém. Descobrimos no decorrer da história que Lucas certamente copilou “Atos dos Apóstolos” como um recurso didático para encorajar os outros discípulos e os demais convertidos judeus a seguirem o exemplo de Paulo na evangelização dos gentios.

E agora? O que isto tem haver comigo? Com você? Conosco (enquanto igreja)? Pensando nos dias hodiernos (uso por pura ironia esta palavra, afinal é bem mais simples dizer nos dias de hoje ou nos dias atuais, mas sabe como é faz parte de “reino” dominante que habita para dentro de nós e que “estamos”, se é que estamos expelindo isso de dentro de nós o tempo inteiro). Quais as notícias estão chegando aos ouvidos da igreja evangélica protestante brasileira do século XXI? Neste sentido qual é a diferença da igreja do I século A.D para a igreja de hoje? Afinal quase tudo, por não se dizer tudo o que fazemos não é voltado para o nosso próprio umbigo?

Que Deus nos dê entendimento, clareza e percepção para enxergarmos as nossas debilidades, faltas e omissões para com aquilo (a missão) para o qual estamos incumbidos!